Neojiba: “Vim para transformar quem assiste ao concerto”


Rádio Vaticano (RV) – “Eu vim para transformar as pessoas que vieram assistir ao concerto”.


É o que diz com propriedade Beatriz Dias Ferreira, 21 anos, violinista, há pouco mais de dez meses na Orquestra Juvenil da Bahia – Neojiba.



Ela se apresentou em Roma, participou da 1ª turnê internacional de sua carreira e é a nossa quarta personagem desta série de entrevistas que tem mostrado como a música atua como agente transformador na vida de jovens da periferia de Salvador e da Bahia.


Beatriz recorda a emoção ao entrar pela primeira vez na Sala Santa Cecília do Auditorium em Roma.


“Quando eu entrei, olhei pra cima e, nossa, eu realmente estou aqui! É tão incrível quanto me disseram. É motivador, encantador, inspirador fazer um concerto numa sala como esta. Passamos pela galeria e vimos maestros e musicistas que a gente assiste e eu vou tocar no mesmo palco em que as pessoas que eu admiro já tocaram. Isso é fenomenal”.


Música transforma a vida


“Desde que eu saí da minha cidade, no interior da Bahia, para ir para a Neojibá, sair de Salvador para fazer essa turnê, a cada dia eu acho que é uma modificação não só musical como de vida, de pessoa. Cada dia a música me transforma. Não só no meio musical, mas também no meio social, emocional também. Ela continua me transformando”.


Quando está no palco entre compassos e notas, a presença da família é sempre recordada por Beatriz.


“É um pouco difícil falar sobre isso porque muito dificilmente há um ano eu poderia falar: daqui um ano eu vou fazer uma turnê e vou estar em Roma. É uma realização não só minha, mas da minha família, porque minha família é uma família muito simples. Ninguém viajou para fora do Brasil, eu sou a primeira e sou a primeira que faz uma coisa que ama imensamente, realmente uma paixão. Eu lembro da minha família, da realização dos meus pais, do sacrifício que eles fizeram para eu estar aqui hoje. Eu lembro de fazer aquilo que eu amo, de colocar meu coração ao máximo, sempre lembrando que tem que me concentrar, porque a gente não pode deixar a emoção nos invadir porque a gente acaba esquecendo da vida. Os compassos vão passando, as notas…Oh, me perdi! Não. Colocar o coração mas lembrando de que eu vim pra isso: Eu vim para transformar as pessoas que vieram assistir ao concerto também. Este é meu objetivo de tocar um instrumento: de transformar, de transmitir os sentimentos então tenho que me concentrar nisso.


A jovem violinista incentiva quem partilha do mesmo sonho.


“Determinação. Determinação e confiança. Acreditar sempre em si, nunca se diminuir, não dizer ‘nossa é tão difícil’. Se fosse pelas dificuldades eu realmente não estaria aqui hoje. Então, se você realmente é determinado e isso move a sua vida, acho que você deve usar os obstáculos para te empurrar mais pra cima: é difícil, mas eu vou conseguir. E acho que é por isso que estou aqui hoje”.


Mas como superar os obstáculos, Beatriz?


“Fé. Com certeza. Fé na vida, fé em Deus, é claro. Fé em mim, fé que eu posso conseguir e eu acredito que a vida ela sempre se encarrega: destino, Deus, acho que está tudo interligado”.


(rB)