II - MARCO DOUTRINAL
12. O objetivo principal do planejamento pastoral é Evangelizar, que é a base de toda ação pastoral. Cada ação evangelizadora deve ser baseada na experiência histórica de Jesus de Nazaré, como Senhor crucificado e ressuscitado. Esta experiência do Filho de Deus, testemunhada nos escritos do Novo Testamento, precisa ser vivida pelas comunidades dos discípulos no espírito de Pentecostes. Sendo a ação evangelizadora a missão principal da Igreja, há necessidade de projetos e diretrizes comuns para atingir esse objetivo. Os responsáveis pelo planejamento pastoral da CNBB do Regional Nordeste 1 valeram-se de documentos oriundos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para orientar sua missão evangelizadora na fidelidade a Cristo e em comunhão com a Igreja. Assim, a CNBB Regional Nordeste 1 assumiu as "Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2003-2006", (Doc 71); "Evangelização e Missão Profética da Igreja" (Doc 80, 2005), o "18º. Plano Bienal de Atividades do Secretariado Nacional: Queremos Ver Jesus – Caminho, Verdade e Vida" 2006-2007 (Doc.81); "Projeto Nacional de Evangelização" 2004-2007 (Doc.72) e a "V Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe" (2007); Discurso do Papa Bento XVI, em Guarulhos, N° 4. (2007). Esses documentos contêm rica reflexão eclesiológica e propõem intensa ação evangelizadora para nos orientar. Na CNBB Regional Nordeste 1, em sintonia com a CNBB Nacional a missão evangelizadora é resumida em três grandes atividades: os Ministérios da Palavra, da Liturgia e da Caridade (Doc. 71, nº 208), que correspondem aos três eixos: Palavra, Sacramento e Ação.
A Igreja que queremos ser e ajudar a construir é:
13 uma Igreja que cumpra sua missão de evangelizar com base nas orientações do Concílio Vaticano II, Medellín, Puebla e Santo Domingo como alicerces para uma reflexão sobre sua ação pastoral e a fidelidade e a realização de sua vocação específica: a santidade de todos os batizados (LG 1-4 e Mc 16.15). Assim, a Igreja santa e pecadora será aberta ao mundo, feita de homens e mulheres, peregrinos na história, sempre necessitados de conversão e perdão;
14 uma "Igreja Povo de Deus" (LG 9), que proclama a radical igualdade cristã de todos os fiéis, assim como a co-responsabilidade na mesma e única missão, encomendada por Jesus; uma Igreja humilde e servidora, atualizada e comprometida com a constituição do Reino, formada de membros capazes de planejar participativamente suas ações na busca de soluções compartilhadas;
15 uma Igreja Comunhão, Corpo Místico de Cristo - onde todos somos a Igreja e todos fazemos a Igreja (LG 7). Nesse Corpo Místico, a vida de Cristo comunica-se aos fiéis que, mediante os sacramentos estão unidos a Cristo que sofreu e foi glorificado;
16 uma Igreja apostólica, onde o Papa, com o Colégio dos Bispos, são princípio e fundamento visível da unidade (LG 23): nessa Igreja colegial o Papa, os bispos, a Conferência Nacional dos Bispos, as dioceses, as paróquias e as comunidades trabalham juntos, formando uma igreja de unidade capaz de articular as diversas formas de vida evangélica e ministerial;
17 uma Igreja libertadora encarnada na realidade local e aberta ao diálogo, para que o Reino de Deus se concretize na história; uma Igreja que partilha dons e serviços e fica ao lado daqueles que não têm voz nem vez; uma Igreja missionária que evangeliza e é evangelizada, que leva a Palavra de Deus tanto àqueles que ainda não a receberam quanto àqueles que já a receberam, mas a abandonaram;
18 uma Igreja com forte ênfase na sua manifestação da fé por meio da sagrada liturgia, sacramentos e catequese renovada; uma Igreja que aprende a rezar e ensina a rezar uma oração que nasce da vida e do coração e é ponto de partida de celebrações vivas e participativas que animam e alimentam a fé; uma Igreja onde a Palavra de Vida (cf. Jo 6, 63) é saboreada na Leitura Orante e na celebração e vivência do dom da Eucaristia, a qual nos transforma e nos revela a presença viva do Ressuscitado, que caminha conosco e atua na história;
19 uma Igreja aberta ao diálogo com as diferentes denomicações cristãs e culturas, fiel à orientação do Papa João Paulo II, contida em sua Carta Encíclica "Ut Unum Sint" sobre o empenho ecumênico. Como o Concílio Vaticano II, as Igrejas da CNBB Regional Nordeste 1 querem se empenhar, de modo irreversível, em percorrer o caminho da busca ecumênica, situando-se, com efeito, na escuta do Espírito do Senhor, que ensina a ler com atenção os "sinais dos tempos";
20 uma Igreja acolhedora, sem exclusões, celebrativa e humilde adoradora do Deus vivo, encarnado, crucificado e ressuscitado, que nos convida a caminhar sempre mais, até a Jerusalém definitiva; uma Igreja que assume realmente a "evangélica e não excludente opção preferencial pelos pobres" (Puebla 1145) com muita seriedade e comprometida com os oprimidos e marginalizados; que saiba valorizar e acompanhar com carinho e prudência a religiosidade popular dos fiéis;
21 uma Igreja que, diante dos desafios que nos propõe esta nova época em que estamos imersos, renova a nossa fé, proclamando com alegria a todos os homens e mulheres do nossa Regional, que somos amados e remidos em Jesus, Filho de Deus, o Ressuscitado vivo no meio de nós;
22 uma Igreja que seja presença profética no mundo para denunciar corajosamente as opressões, injustiças e situações de pecado; que participe da sociedade, testemunhando solidariedade, justiça e paz, antecipando, assim, o Reino definitivo de Deus; que se oponha ao consumismo, ao relativismo moral e à permissividade, proclamando claramente aos fiéis a Palavra de Cristo, e consciente de que a evangelização deve ser repensada em cada nova época da história;
23 uma Igreja com o compromisso a defender os mais fracos, especialmente as crianças, os enfermos, os incapacitados, os jovens em situação de risco, os anciãos, os presidiários, os migrantes, velando pelo respeito ao direito que têm os povos de defender e promover "os valores subjacentes em todos os estratos sociais, especialmente nos povos indígenas". (BENTO XVI – Discurso em Guarulhos N° 4, 2007);
24 uma Igreja atenta à urgente necessidade de formar seus agentes pastorais para que sejam eficientes e eficazes na sua ação catequética, doutrinal e pastoral e levem fielmente a mensagem de Cristo ao nosso mundo conturbado. Uma Igreja formadora de consciência cristã que respeita pessoas, valores e culturas;
25 uma Igreja que assuma realmente a "opção pelos jovens", acompanhando-os no crescimento na fé, enfrentando os desafios e perspectivas pastorais na sua evangelização. Os jovens têm o direito de receber da Igreja o Evangelho e de ser introduzidos na experiência religiosa, no encontro com Deus e no contato com as riquezas da fé cristã. (Evangelização da Juventude, Documento da CNBB, Nº 85, 2007) e (Documento de Santo Domingo 114, N° 4);
26 uma Igreja que procure viver alegre e corajosamente a espiritualidade das bem-aventuranças (Mt 5, 1-12; Lc 6, 20-26); uma Igreja fraterna onde possamos viver como irmãos e irmãs, na qual sejam valorizadas a fraternidade, as relações humanas e a diaconia da caridade fraterna; uma Igreja de misericórdia, compaixão e ternura, reflexo do amor do Criador pelos seus irmãos (cf. Parábola do Filho Pródigo); uma Igreja de caridade como manifestação do amor trinitário (cf. "Deus Caritas Est" do Papa Bento XVI, nº 9, p.35); uma Igreja que vá atrás daqueles que a abandonaram convidando-os a voltar, mostrando lhes o rosto humano de Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo.
27 uma Igreja que assuma com grande seriedade a formação dos seus presbíteros e dos leigos, orientando-se nesta área por intermédio dos documentos "Pastores Dabo Vobis" e "Christifideles Laici"; uma Igreja capaz de articular, pela vivência da comunhão eclesial, o universal com o particular; as diversas formas de vida evangélica e ministerial com os novos movimentos e associações leigas; o paroquial com o diocesano; o sacramental com a diaconia e o testemunho; o celebrativo e orante com o testemunho e o compromisso; uma Igreja que se empenha na Renovação Paroquial e na Renovação Presbiteral (Plano de Emergência para a Igreja no Brasil, Doc. 76, páginas 31-75); uma Igreja que sabe acolher e valorizar cada um de seus membros, alentando os esforços empreendidos nas paróquias para ser "casa e escola de comunhão", animando e formando pequenas comunidades eclesiais de base, assim como nas associações de leigos, movimentos eclesiais e novas comunidades; uma Igreja preocupada em promover um laicato mais ativo, respeitando-os em suas opiniões e iniciativas, abrindo-lhes espaços para que participem nas decisões da comunidade, enfim, tratando-os como adultos numa linha de comunhão e participação, como compete à sua vocação batismal;
28 uma Igreja que, nesta época de grandes avanços no campo da Genética, da Biotecnologia e da biodiversidade cumpra corajosamente sua missão profética de anunciar o "Evangelho da Vida" (Evangelização e Missão Profética da Igreja, Doc. 80, p.111); uma Igreja que empregue muito mais e melhor os modernos meios de comunicação social para comunicar a mensagem salvífica de Cristo aos milhões de pessoas que não participam; que defenda corajosamente os direitos humanos, a dignidade humana e a família, lugar privilegiado de encontro com Deus e tão ameaçada em nossos dias;
29 uma Igreja marcada pela evangelização inculturada por meio das exigências da evangelização (serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão); que utilize a Bíblia Sagrada de acordo com o documento A Interpretação da Bíblia na Igreja, da Pontifícia Comissão Bíblia, N° 134 não somente nas comunidades eclesiais e círculos bíblicos, mas especialmente nas homilias dos seus presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra;
30 uma Igreja de missionários e discípulos, onde Cristo chama cada um de nós pelo próprio nome, conhecendo profundamente a nossa história (cf. Jo 10,3), para conviver com Ele e ser enviado por Ele a continuar a sua missão (cf. Mt 3,14-15);
31 uma Igreja onde o chamado a ser discípulo e missionário exige de nós uma decisão clara por Jesus e seu Evangelho, coerência entre a fé e a vida, encarnação dos valores do Reino, inserção em um mundo que promove o consumismo e desfigura os valores que dignificam o ser humano. Em um mundo que se fecha ao Deus do amor, não do mundo, mas no mundo e para o mundo (cf. Jo 15,19; 17, 14-16). (Mensagem da V Conferência Geral aos povos da América Latina e do Caribe); e.
32 uma Igreja que estimule a formação de políticos e legisladores cristãos, para que contribuam na edificação de uma sociedade justa e fraterna, de acordo com os princípios da Doutrina Social da Igreja, e convocando todas as forças da sociedade para cuidar de nossa casa comum, a Terra, ameaçada de destruição; uma Igreja, enfim, que defende um desenvolvimento humano sustentável, com base na justa distribuição das riquezas e na comunhão dos bens entre todos os povos.