Era apenas mais uma noite comum para mundo



 



     “Quando um tranqüilo silêncio envolvia todas coisas e a noite chegava ao meio de seu curso, a tua Palavra onipotente, vinda do alto do céu, precipitou-se, como um guerreiro impiedoso, no meio de uma terra condenada ao extermínio…” (Sabedoria 18, 14-15)


O Império Romano exercia seu poder sobre as nações subjugadas, o povo de Israel deixava suas casas para fazer seu registro no censo exigido pelo império e o restante do mundo dormia esperando por dias melhores.


Talvez em meio a essa normalidade cotidiana, nesta mesma noite, em uma casa qualquer de Belém, uma família humilde ouvia seu pai proclamar a palavra do profeta Miquéias: “E tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade… ” (Mq. 5, 1).


Enquanto a família ouvia essas palavras de esperança e consolação, toda a consolação e esperança que a humanidade desejou desde tempos remotos nascia em uma simples manjedoura nesta mesma cidade. O mais forte dos fortes, nascido como o mais simples dos simples. Aquele que é infinitamente rico, fez-se pobre para nos enriquecer copiosamente com a sua pobreza (Santo Agostinho). E então “o povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. […] Pois um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado, e o principado está sobre o seus ombros, e se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz” (Is. 9).


Depois daquela noite a humanidade inteira pode exclamar: “não há prazer que se iguale à alegria do meu coração” (Eclo. 30, 16), pois Deus mora conosco, habita em nosso meio, não em tendas no deserto, mas no nosso coração por meio do Espírito Santo que nos foi dado.


Pelo “sim” majestoso de uma humilde mulher, Deus surge em nossa vida e na história para conferir o sentido pleno que tanto desejávamos. Este Deus Conosco, nasce e vive em nós a cada vez que decidimos, assim como aquela humilde mulher, fazer da vontade de Deus o sentido de nossa vida por meio de nossas ações.


Aquele acontecimento singelo, que passou despercebido no momento de sua realização, mudou a história. E ainda hoje é convite para mudarmos nosso modo de enxergar o mundo, sua história e nossa própria história. Ele nos dá a esperança de dias melhores, “assim diz o Senhor: os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até os confins da terra, e ELE MESMO SERÁ A PAZ…” (Mq 5, 3-4).


FELIZ NATAL!


Por: Padre Paulo Sérgio, pároco da Paróquia São Sebastião, em Mangabeira, distrito de Lavras-CE (O Amor de Cristo nos impulsiona)