Mensagem de Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap por ocasião da Instalação da Diocese de Baturité e Posse do Primeiro Bispo

Nas primeiras horas do Ano do Senhor de 2026, quando a aurora ainda repousava sobre o tempo como um véu de promessa, e o silêncio da madrugada era suavemente rasgado pelo canto jubiloso dos sinos, algo mais profundo do que um anúncio aconteceu: o coração de um povo se elevou em louvor. Não era apenas uma notícia que se proclamava, mas um mistério que se revelava — como uma semente escondida que, enfim, irrompe em vida. Sob o olhar discreto e providente de Deus, nascia uma nova Diocese; e, com ela, era confiado ao povo o dom de um pastor: Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu, filho de São Francisco de Assis, sinal vivo de simplicidade evangélica, de proximidade e de ternura.

Nós, Bispos do Regional Nordeste I da CNBB, em profunda comunhão com toda a Igreja, elevamos ao Senhor nossa ação de graças por este dom que ultrapassa o tempo e toca a eternidade. Recebemos este momento como um verdadeiro kairós — um tempo habitado por Deus — no qual o Espírito Santo continua a escrever, com delicadeza e força, a história viva da salvação no coração do seu povo. Com reverência filial, dirigimos também nossa gratidão ao Santo Padre, cuja solicitude pastoral se faz gesto concreto, oferecendo à Igreja no Ceará o nascimento de uma nova porção do Povo de Deus.

Nossa gratidão se estende, com sincero reconhecimento, a Dom Gregório e a todos aqueles que, no silêncio do serviço e na fidelidade da escuta, colaboraram para que esta Diocese viesse à luz. Aquilo que nasce de Deus não é fruto da pressa, mas da paciência do amor; não é obra do acaso, mas da docilidade à voz do Espírito, que conduz a história por caminhos, muitas vezes ocultos, mas sempre fecundos.

E assim, como uma luz mansa que se acende no horizonte da esperança, resplandece para o povo de Baturité a palma luminosa da alegria, sob o olhar terno de Nossa Senhora. Nela, esta Igreja nascente contempla não apenas uma padroeira, mas uma presença materna: aquela que soube acolher o Verbo no íntimo de sua existência e oferecê-lo ao mundo como salvação. Nela, aprendemos que toda verdadeira fecundidade nasce do silêncio, da escuta e da entrega.

Com afeto fraterno e sincero, acolhemos Vossa Excelência Reverendíssima, Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu, OFMCap, primeiro Bispo da Diocese de Baturité. Vossa chegada não é apenas um envio, mas um encontro: encontro entre um pastor e um povo, entre uma vocação e uma história, entre o chamado de Deus e as esperanças de muitos corações. Filho do Pobrezinho de Assis, sois chamado a ser presença que escuta, que caminha, que partilha; presença que não se impõe, mas que se oferece; que não domina, mas serve; que não fala de longe, mas habita a vida concreta do povo.

Aqui, amado irmão, encontrareis um povo cuja alma foi moldada entre a elevação da serra e a resistência do sertão — duas geografias que são também duas pedagogias de Deus. A serra ensina o olhar que se levanta, a sede do alto, o desejo do infinito. O sertão, por sua vez, educa o coração na espera, na perseverança, na esperança que resiste mesmo quando tudo parece árido e estéril. É neste chão, marcado por dores e milagres cotidianos, que ecoa a palavra de Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” Forte não apenas na luta, mas na fé; não apenas na resistência, mas na confiança; não apenas na dureza da vida, mas na delicadeza da alma.

É a este povo — profundamente humano, intensamente crente — que Vossa Excelência é enviado como pastor. Um povo que reza caminhando, que crê sofrendo, que espera mesmo quando a noite parece longa. Um povo que não busca explicações complexas, mas sinais de presença; que não pede discursos distantes, mas gestos que revelem o coração de Deus.

Que Nossa Senhora da Palma, Mãe que acolhe e sustenta, acompanhe cada passo do vosso ministério, para que esta Igreja nascente não cresça apenas em estruturas, mas também em profundidade espiritual; não apenas em organização, mas em comunhão; não apenas em número, mas em santidade. Que ela vos ensine a guardar, no silêncio do coração, as alegrias e as dores deste povo, e a devolvê-las a Deus como oração.

Nós, vossos irmãos no episcopado, filhos desta Terra da Luz, unimo-nos a Vós com alegria serena e esperança renovada. Caminharemos juntos, na comunhão que sustenta, na corresponsabilidade que edifica, e na caridade que tudo fecunda.

Seja bem-vindo, querido irmão, a esta terra onde a fé tem raízes profundas e o céu parece mais próximo do chão.

Seja bem-vindo ao desafio belo e exigente de traduzir o Evangelho eterno na linguagem concreta da vida. Seja bem-vindo à Diocese de Baturité — lugar onde Deus continua, silenciosamente, a semear esperança e a fazer florescer a graça.

Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap.

Bispo de Crato