Em encontro com coordenadores de pastoral do Ceará, em Quixadá, Secretário Executivo do Regional convoca à conversão sinodal

Secretário executivo do Regional NE1 presidiu missa no encontro diocesano e destacou três dimensões essenciais para a renovação da ação evangelizadora: conversão das relações, dos processos e dos vínculos

Quixadá (CE) – Em homilia durante a missa de abertura do Encontro de Coordenadores de Pastoral da CNBB Regional Nordeste 1, realizado em Quixadá, Pe. Francisco Macerlândio, secretário executivo do Regional, convocou as lideranças pastorais do Ceará a uma profunda experiência de conversão sinodal. A celebração, ocorrida na Capela da Universidade, coincidiu com a Festa de São Bartolomeu (Natanael), cujo evangelho serviu de base para a reflexão.

Partindo do encontro de Natanael com Jesus narrado no Evangelho de João, o secretário executivo articulou sua reflexão em torno de três dimensões essenciais para a renovação da ação pastoral, em sintonia com o chamado do Papa Francisco à conversão eclesial.

  1. Conversão das relações: superar o ceticismo pastoral

O primeiro ponto destacado foi o convite à superação dos preconceitos institucionais e paroquiais. Pe. Macerlândio recordou a reação cética de Natanael:  “De Nazaré pode sair coisa boa?” Como imagem das resistências que surgem na vida pastoral diante de novas pastorais, movimentos, paróquias ou mesmo de irmãos leigos e presbíteros.

“A sinodalidade exige a conversão das nossas relações”, afirmou. Segundo ele, o convite de Filipe: “Vem e vê!” representa “o convite sinodal por excelência”, pois “caminhar junto nasce da proximidade, do desarmar o coração para escutar o outro”. O sacerdote exortou os coordenadores a purificar a convivência eclesial “da falsidade, da fofoca, da disputa de ego”, relacionando-se “com a verdade e o amor com que Jesus nos olha”.

  1. Conversão dos processos: da figueira ao ativismo

O segundo eixo da reflexão abordou o risco do ativismo pastoral. Pe. Macerlândio alertou para o perigo de “focar tanto nos relatórios, nos eventos e no calendário” e esquecer que “a pastoral é feita de processos humanos e espirituais”.

Recorrendo à imagem da figueira , lugar onde Natanael meditava as Escrituras , o secretário executivo questionou: “Antes de cobrarmos resultados dos nossos bispos, padres e leigos, precisamos com verdade e sinceridade nos perguntar: nós os vemos sob a figueira? Conhecemos as suas realidades, as suas dores, as suas alegrias?”

Para ele, “uma Igreja sinodal não funciona por decretos de cima para baixo, mas por processos de escuta mútua, discernimento comunitário e acolhimento da caminhada de cada um”. O encontro em Quixadá, segundo ele, seria justamente “um espaço de colocar em comum o que vivemos, reconhecendo a ação do Espírito Santo na história de cada paróquia”.

  1. Conversão dos vínculos: pontes, não barreiras

O terceiro ponto tratou da renovação das estruturas eclesiais. Partindo da imagem da escada de Jacó: — “o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem”, Pe. Macerlândio apresentou Cristo como “a ponte viva entre o céu e a terra”, que rompe com a rigidez do “templo de pedra como único lugar de salvação”.

“Os vínculos que dão sustentação às nossas estruturas:  reuniões, conselhos, comissões, secretarias,  não podem ser alfândegas que barram a graça de Deus ou muros que isolam as lideranças do povo”, advertiu. Para o secretário executivo, estreitar e converter esses vínculos “não é apenas mudar organogramas, mas garantir que toda a nossa organização diocesana sirva para conectar as pessoas, fazendo com que o povo veja ‘coisas maiores’, veja o céu aberto e experimente o amor de Deus de forma acessível”.

Um encontro para experimentar a sinodalidade

Ao final da homilia, Pe. Macerlândio dirigiu-se diretamente aos coordenadores presentes com uma palavra de encorajamento: “Jesus nos viu antes de chegarmos a Quixadá? Sim. Ele nos viu. Ele conhece os cansaços de cada um de nós na liderança pastoral de nossas Dioceses e, sobretudo, conhece o amor de cada um pela Igreja”.

 

O sacerdote concluiu desejando que o encontro não se limitasse a “acumular teorias sobre o Sínodo ou sobre as novas Diretrizes”, mas que os participantes pudessem “experimentar a sinodalidade e os novos caminhos na pele”. Pe. Macerlândio invocou ainda a intercessão de São Bartolomeu pela Diocese de Quixadá, “que nos recebe e acolhe” por meio dos padres João Paulo e Lucas, e por todos os coordenadores em suas realidades diocesanas.